Impressões: Coliseu de Roma

No meu primeiro dia em Roma, não foi nada difícil pensar no que eu queria ver primeiro. O primeiro monumento. O primeiro impacto. A primeira imagem icônica. O Coliseu foi a escolha e ir até ele não era tarefa difícil, já que meia hora de caminhada ou menos separava o hotel no qual eu estava hospedado do ícone da carnificina romana.

Depois de uma pizza horrível, da qual eu falo neste post, comecei minha caminhada rumo ao Coliseu.

Seguindo pela Via Principe Amedeo, cheguei a Via Cavour, uma larga e movimentada avenida, pela qual desci. Em poucas quadras eu estava nas costas Basílica papal de Santa Maria Maggiore. Fotografei-a, fiz três fotos para um casal e segui pela Via Cavour.

Fundos da basílica Santa Maria Maggiore

Santa Maria Maggiore

Passei por prédios vários e a imagem daquilo que eu via era um tanto diferente daquilo que eu havia imaginado. Não sei porque motivo eu pensava que Roma seria uma cidade bagunçada e com uma paisagem urbana não tão bonita. Por algum motivo, na minha cabeça, o mais bonito de Roma ficaria por conta de seus monumentos históricos e belas igrejas. Em termos urbanos, eu pensava que a cidade fosse um fiasco.

Bem, a caminhada pela Via Cavour me provou o contrário. Eu estava em Roma, mas poderia estar em uma avenida de Paris ou de Londres. O cenário urbano ali era agradável, limpo, não degradado e entremeado por um trânsito pesado. O trânsito romano, do qual eu falo neste post, era o que mais se assemelhava ao que eu havia imaginado.

Mais alguns minutos de caminhada e, à minha esquerda, uma avenida levava ao Coliseu.

Já o avistei de longe e, em poucos minutos, eu estava de frente para ele. Eu o olhava de baixo e ele me devolvia o olhar do alto.

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma

Estar de frente com um monumento tão emblemático, por um motivo qualquer que desconheço, não me emocionou nem me impressionou. Lembro de ficar emocionado ao avistar o Big Ben, em Londres, e impressionado ao estar aos pés da Torre Eiffel, em Paris. Na noite daquele mesmo dia eu ficaria impressionado com outro hit de Roma, a Fontana di Trevi. Mas com o Coliseu não foi assim e eu achei engraçado que não fosse assim.

Fiz umas dezenas de fotos ali. O dia estava ensolarado e as fotos ficaram ótimas. Muitas pessoas me pediram para tirar fotos delas ali. Tive a oportunidade de conversar com algumas. Conversei com um senhor mexicano com um português impecável que queria saber qual arco era o de Constantino e qual era o de Tito. Não saber falar o espanhol tão bem quanto ele sabia falar o português me fez pensar por que raios eu ainda não tinha sentado para estudar e aprender o espanhol direito.

Coliseu de Roma

Conversei também com uma menina da Armênia, que pediu que eu fizesse um vídeo dela em frente ao Coliseu. Diferente do que eu pensava, ela não era uma turista, já morava na Itália há cinco anos. Ela se ofereceu para mostrar algo da cidade dali alguns dias e, assim, nasceu uma amizade. Algumas noites depois, estaríamos tomando uma cerveja e gastando umas boas horas em Trastevere.

Tentei dar a volta no Coliseu e vê-lo de todos os ângulos possíveis. Eu não adentraria o monumento naquele dia. Atravessando a avenida defronte ao monumento, cheguei a umas escadas. Subi e, ali, tive uma visão frontal, só que mais alta, do Coliseu. Agora, já não o olhava de baixo, não obstante ainda não estivéssemos no mesmo nível. Fiz mais algumas fotos e fui embora.

Um dia depois voltei ao Coliseu, agora para visitá-lo internamente. A fila era imensa e, mesmo com o Roma Pass, que me permitia entrar sem ter que pegar a fila para compra do ingresso, a espera foi demorada.

Parte interna do Coliseu

A visita interna é muito agradável. É possível andar por diferentes níveis do antigo estádio romano. Chamou-me a atenção um grupo de crianças sentadas no chão tendo aula. Fiquei admirando aquilo, aula de História na prática.

Mais tarde, na noite daquele mesmo dia, retornei ao Coliseu. Eu tenho essa coisa de querer ver alguns monumentos de dia e de noite. Eram umas dez da noite quando eu cheguei lá e este foi o meu momento mais contemplativo diante dele. Havia pessoas fazendo fotos, sim, mas bem menos do que a multidão das ocasiões anteriores.

Coliseu iluminado à noite

Fiquei ali, olhando e pensando.

Era bem engraçado aquele monumento enorme, antigo, histórico e de grandes proporções incrustado bem ali, entre movimentadas e modernas avenidas romanas. Talvez uma prova de que o velho e o novo podem conviver em certa harmonia. O Coliseu, ali há uns bons séculos, vendo Roma mudar e permanecendo, na medida do possível, imutável. Levantei e fui tomar um vinho na Cavour 313, antes de voltar ao hotel.

Ainda outras vezes nesta viagem tive um vislumbre do Coliseu. Quando estava indo ao Pasta Chef, do qual eu falo aqui, dei uma espiada no Coliseu antes de subir o bairro de Monti. Depois, quando voltávamos de Trastevere, minha amiga e eu, pudemos vislumbrar ao fim de uma longa avenida o Coliseu, onde tínhamos nos conhecido.

Quadro do Coliseu pendurado na parede

E este Coliseu no fim da longa avenida, do qual eu tenho uma imagem somente na minha memória, foi minha despedida dele naquela viagem. E eu nunca diria que um pequeno vídeo no Coliseu me renderia uma amizade, uma noite de boa conversa e risos em Trastevere e um desenho no meu diário de viagem porque, sim, minha nova amiga era uma pintora. E aquele Coliseu, que de início não me impressionou tanto, provou a mim que a primeira impressão nem sempre fica. Hoje, eu tenho uma pequena pintura que eu comprei em Roma, pendurada na parede.

Uma pintura do grande Coliseu.

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

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