Museus Vaticanos com pouco tempo: o que ver?

Seria tolo de minha parte tentar esmiuçar os Museus Vaticanos, tanto na minha visita a eles quanto neste singelo post sobre eles. Por isso, faço aqui um apanhado do básico, uma linha mestra para guiar o caro leitor em uma visita aos belos e vastos museus.

No dia de visitá-los, acordei cedo, pois queria passar antes pela Fontana di Trevi vazia (da qual eu falo neste post aqui) e pelo Panteão também vazio. Após ver os dois ícones, peguei o Metrô com destino à estação Otaviano. Depois de alguns minutos de caminhada, cheguei à entrada dos museus.

Brasão do Vaticano

Brasão do Vaticano

Como eu havia comprado o ingresso pela internet antes, no qual há horário agendado para entrar, pude pular a fila que se estendia rua abaixo para compra dos ingressos e entrar direta e rapidamente. Não sabia eu que o meu “acordar bem cedo para ver monumentos vazios” influenciaria na visita aos museus. Como? Pelo simples cansaço.

Os Musei Vaticani são um fantástico complexo composto de diversos museus e espaços que guardam maravilhosas obras de arte. Basicamente, o complexo é bemmmmmmm grande, com muito a se ver e com muita informação para se absorver.

Escola de Atenas, uma das pinturas das Salas de Rafael

Escola de Atenas, uma das pinturas das Salas de Rafael

Conforme você anda pelos maravilhosos corredores, você possui um teto extremamente trabalhado, com obras e ornamentos; nas paredes, sequências de obras de arte de ambos os lados; e o chão às vezes é desenhado. Assim, em um simples corredor, você já se depara com três dimensões de arte para apreciar. É um bombardeio. Chegou uma hora que meu cérebro já não conseguia mais absorver e é aí que o cansaço começou a bater, ainda mais por ter acordado cedíssimo, esporte do qual eu não sou muito fã.

Para completar, a coleção do museu é vasta e eclética. Eu não fazia ideia de que houvesse obras do Matisse lá, por exemplo, mas sim, há. Você pode facilmente passar um dia inteiro ali dentro, mas eu sei que a maioria dos mortais vai para uma visita mais simples e, essencialmente, mais curta. Foi o que eu fiz e, embora não tenha aproveitado tão bem a visita pelo cansaço, seguem pinceladas do que meu cérebro conseguiu absorver.

Quando você entra no hall principal, as placas já dão uma boa orientação. Se você quiser fazer uma visita sucinta, ou seja, ver as Salas (Stanze) de Rafael e a Capela Sistina, basta seguir as plaquinhas. A sinalização sempre orienta qual lado seguir para um caminho mais longo ou mais curto. A visita rumo à Capela Sistina, passando pelas Salas de Rafael, é um caminho bem linear e, neste caminho, você verá uma série de obras de arte, afrescos e tetos ornamentados de cair o queixo.

tetos dourados dos museus vaticanos

“Tetos ornamentados de cair o queixo”

Agora, deixa eu contar o que eu fiz.

Depois de passar por muitas obras e corredores, comecei a perceber que se eu levasse muito tempo apreciando as obras por ali, como eu vinha fazendo até então, eu ia precisar mudar a data da minha passagem de volta do Brasil pra dali alguns dias mais tarde. Juntou-se a isso o cansaço e comecei a simplesmente passar pelas obras e salas rumo às Salas de Rafael e à Capela Sistina. Passado algum tempo, cheguei à Capela Sistina.

Maravilhosa.

O teto foi pintado por Michelângelo, sem a ajuda de assistentes. É absurdamente fantástico. Não bastasse o teto, atrás do altar se encontra o Juízo Final, também do gênio Michelângelo. A Capela Sistina, por si só, já vale a visita aos Museus Vaticanos.

Mas pera. E as Salas de Rafael?

Lembra que eu disse que o caminho é mais ou menos linear? Pois bem, você não sai da Capela Sistina por onde entrou, então não tem como fazer o caminho de volta. E eu devia ter passado pelas Stanze antes de chegar lá. Por que eu não passei??? Onde eu errei???

Por que, meu Deus, por quê?!

Sfera con Sfera, de Arnaldo Pomodoro

Sfera con Sfera, de Arnaldo Pomodoro

Sim, eu voltei ao início e refiz todo o caminho. Mesmo estando cansado, eu queria ver muito as Salas de Rafael. Eu tinha lido em um livro de Arte sobre a Escola de Atenas, uma das obras das Stanze, e tinha muita curiosidade de vê-la ao vivo. Enquanto eu refazia o caminho eu não conseguia acreditar que eu havia errado o caminho. Desorientação espacial absurda, acontece com frequência comigo. 😛 Mas o que havia acontecido não era bem isso. Quando eu cheguei às Stanze, percebi que já havia passado por ali, mas não tinha parado para olhar as obras.

Lembra quando eu comecei a acelerar a visita? Pois é, olha só pelo quê eu fui passar batido! Quem faz mal faz duas vezes. As salas são muito bacanas, num total de quatro, cobertas de pinturas e afrescos. Valeu refazer o caminho para poder vê-las.

A famosa escada espiral dos museus vaticanos

A famosa escada espiral

Depois de refazer o circuito, ainda havia um terceiro ponto dos Museus Vaticanos que eu queria ver: a esfera dentro da esfera, ou Sfera con Sfera, de Arnaldo Pomodoro. Ela fica no Cortile della Pigna, ou Pátio da Pinha, um dos jardins dos museus. A escultura é interessantíssima. Alguns meses depois de visitá-la vi uma foto do Trinity College, em Dublin, com uma idêntica. Daí fui pesquisar e descobri que o escultor fez a Sfera originalmente para o Vaticano, mas que depois começou a construí-la para outros lugares do mundo. Bem legal, né?

Por último, mas não menos importante, fotografei e desci a maravilhosa escada espiral, oficialmente chamada de Escada Helicoidal, obra de Giuseppe Momo. É um ponto imperdível e hiper fotografado dos museus. Você passará por ela logo antes da saída dos museus.

Assim, estes foram os quatro pontos orientadores da minha visita: a Sfera, as Stanze, a Capela Sistina e a escada espiral. No caso de uma visita mais básica, dá para começar por aí, mas ressalto: há muito, muito mais! O museu é muito bem sinalizado, não será difícil fazer uma agradável visita por estas obras de arte deste curto roteiro. Só tome cuidado para não passar batido por nenhuma delas, como eu fiz.

Lembre-se: quem faz o caminho mal, faz duas vezes!


Todos os caminhos levam a:

Museus Vaticanos

Onde: Viale Vaticano, 00165 – Roma. 10 minutos de caminhada do metrô Otaviano-S. Pietro – Musei Vaticani. O metrô Cipro também é opção. Mais opções de como chegar: http://www.museivaticani.va/3_EN/pages/z-Info/MV_Info_Trasporti.html

Horários: http://www.museivaticani.va/3_EN/pages/z-Info/MV_Info_Orari.html

Ingresso online: https://biglietteriamusei.vatican.va/musei/tickets/do

Site oficial: http://www.museivaticani.va/  

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

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