O que fazer em Santiago do Chile: Cerros Santa Lucía e San Cristóbal

Imagine uma cidade dentro de um buraco. A comparação é exagerada, mas não deixa de ter um pequeno fundo de verdade. Santiago é uma cidade cercada por cadeias de montanhas e fica numa espécie de vale, digamos. Isso traz uma particularidade ruim: o ar da cidade é bem poluído.

Isso acontece porque, sem entrar muito no aspecto técnico, a poluição tem maior dificuldade de se dissipar. Por isso não é raro enxergar Santiago imersa em uma névoa cinza, quando a observamos do alto.

Avião sobrevoando a Cordilheira dos Andres

“Senhores passageiros, dentro de instantes sobrevoaremos a Cordilheira dos Andes” \o/

E falando em observá-la do alto, Santiago possui uma particularidade: os Cerros, que são montes ou parques elevados bem no meio da cidade que permitem vistas bem bonitas. Quando eu digo “bem no meio”, é porque estes Cerros são bem centrais e trazem uma concentração verde bem vinda numa cidade com o ar poluído.

 

Cerro Santa Lucia

Terraza Netuno, no Cerro Santa Lucía

Antes de chegar em Santiago, eu pensava que a pronúncia era como o nosso Lúcia, com o LU tônico. Lá, descobri que é o CI que é o forte, acentuado: Lucía. Achei muito bonita a sonoridade.

O Santa Lucía fica de cara com a estação de metrô de mesmo nome, no entorno do bairro Lastarria. Foi o Cerro que eu mais frequentei, pois foi o local escolhido para praticar minha corrida. Apesar de não ser o melhor lugar para o esporte, porque o piso é um pouco irregular, ele era bem próximo do meu hostel e, além disso, eu me afeiçoei ao monte simpático.

O lugar é bem agradável e possui um certo charme. Na base do Cerro, há uma feirinha indígena com artesanatos e postais. Ao subir os primeiros lances de escada chega-se à Terraza Netuno, uma linda praça com uma fonte mais linda ainda.  E, conforme continua-se subindo, vários pontos permitem o vislumbre da Cordilheira dos Andes no horizonte.

Terraza Netuno, inspirada na Fontana di Trevi, de Roma

Qualquer semelhança com a Fontana di Trevi, em Roma, não é mera coincidência

Para chegar ao mirante mais alto do Cerro Santa Lucía será necessário caminhar por muitas subidas e galgar muitos degraus, pois o lugar é cheio de escadas. É um passeio para ser feito com calma, mas para quê pressa? Os banquinhos nas praças do Cerro convidam a sentar e relaxar um pouco, não por acaso.

Uma vez no topo, o mirante é pequeno, porém proporciona uma vista bem bacana.

Cordilheira dos Andes vista do Cerro Santa Lucía

Cordilheira dos Andes vista do Cerro Santa Lucía

Cerro San Cristóbal

 

Quanto ao Cerro San Cristóbal, este possui um estilo um pouco diferente. Ele está mais perto do Barrio Bellaviista, bairro dos barzinhos de Santiago (sobre o qual eu falo aqui), e é muito maior do que o Santa Lucía. Há trilhas que levam ao topo, pelas quais eu não caminhei, mas para as quais eu vi ciclistas e corredores se encaminhando.

O Cerro em si faz parte do Parque Metropolitano de Santiago e, no meio do caminho para o alto do Cerro, há também um zoológico. Por aí já dá pra ter uma ideia do tamanho do complexo todo.

E falando em meio do caminho, que caminho é esse?

O caminho Cerro acima pode ser feito por funicular, que foi como eu fiz. É bem bacana, o funicular vai mata adentro e em alguns minutos você está lá no alto, enquanto Santiago está lá embaixo.

Funicular inciando a subida no Cerro San Cristobal

Funicular iniciando a subida

A vista é bem bonita. Infelizmente no dia em que eu fui o tempo nublado não me permitiu ver o sol se pôr, mas nem por isso a vista deixou de ser menos válida.

Vista do alto do Cerro San Cristóbal

Vista do alto do Cerro San Cristóbal

Saindo do funicular e caminhando pelo Cerro, além das vistas de vários ângulos que o lugar proporciona, é possível continuar subindo o San Cristóbal. Há alguns lances de escadas adornados com plantas simples que possibilitam ao visitante chegar aos pés da Estátua da Virgem Imaculada da Conceição, que fica bem no topo do Cerro. As placas ali pedem silêncio, bem como cuidado com as plantas espalhadas pela subida.

Estátua da Virgem Imaculada da Conceição

Estátua da Virgem Imaculada da Conceição

Pra mim, ambos os Cerros são imperdíveis.

De certa forma adotei o Santa Lucía, pois a proximidade me permitia ir lá todos os dias. Além disso, a vista dele é mais próxima da Cordilheira dos Andes, apesar de menos ampla do que o seu rival. Mas, em uma próxima oportunidade, pretendo dedicar mais um tempo ao San Cristobal. Quem sabe encare uma subida a pé? Quem sabe, eu possa ver o sol se pôr lá do alto…

 

Todos os caminhos levam a:

 

Cerro Santa Lucía

Onde: Avenida Libertador Bernardo O’Higgins, Santiago, Chile. Fica próximo ao metrô Santa Lucía.

Quando: aberto todos os dias, das 9 às 19 horas. O lugar é tranquilo mas, por precaução, bom evitar andar por lá ao cair da noite.

Quanto: entrada gratuita


Cerro San Cristóbal

Onde:  Pío Nono, 450, Bellavista, Santiago, Chile. O metrô mais próximo é o Baquedano. De lá, são uns 15 minutos de pernada, passando pelo Barrio Bellavista.

Quando: o funicular tem horários variados de funcionamento. INVERNO – de terça a domingo, das 10 às 18:45 hs; segunda, das 13 às 18:45 hs. VERÃO – de terça a domingo, das 10 às 19:45 hs; segunda, das 13 às 19:45 hs. O último horário de funcionamento é o horário em que o último funicular desce do Cerro, ok? Horários informados no site oficial do Parque Metropolitano de Santiago. Sempre confirmar! 😉 FECHADO na primeira segunda-feira do mês para manutenção.

Quanto: 2.600 pesos chilenos para ida e volta do funicular, nos fins de semana e feriados; 2.000 pesos nos demais dias. As tarifas são reduzidas para crianças (1.950 e 1.500 pesos, respectivamente) e também é possível fazer só um dos trechos por funicular. Preços em 2016.

Site: http://www.parquemet.cl/horarios-y-tarifas/

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

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