Para entender o hinduísmo balinês

 

Um dos aspectos mais interessantes de Bali é, sem dúvidas, a religião – o Hinduísmo balinês, que misturada ao cenário paradisíaco, resume-se na clássica definição de “ilha dos deuses”. Em Bali, a religião é parte envolvente da cultura e da sociedade, e é impossível não lançar olhos curiosos seja sobre as esculturas de faces monstruosas seja sobre as práticas ritualísticas do dia a dia. Tudo é diferente, atrativo e igualmente difícil de entender.

Hinduísmo

Templo hindu-balinês, quanto mais próximo do céu menos carregado de ‘coisas’ terrenas. A arquitetura é delicada e sempre imbricada com o ambiente natural, adquirindo a partir daí funções e deuses específicos. A maioria dos templos são abertos à visitação.

Sendo a religião predominante em Bali, o Hinduísmo Balinês representa 83,5 % da população. Podemos entendê-lo como uma ramificação do hinduísmo indiano, com toques budistas, culto aos ancestrais e a valorização de antigas tradições anímicas da ilha (uma visão de que tudo o que é material pode ser um recipiente para espíritos bons ou ruins – uma árvore, uma montanha, uma pedra, um tecido, etc.). É uma pluralidade de deidades que, em seu conjunto, produzem uma religião bastante singular.

Hinduísmo

Esculturas presentes não apenas nos templos como também nas ruas, na frente das casas e comércios. Entendê-los envolve um conhecimento mais específico dos vários deuses existentes na cultura hindu e da própria sociedade balinesa divida por castas.

Bali é famosa por ser uma ilha cool, lugar de hippies do novo milênio e cheio de pessoas buscando alternativas para sua espiritualidade. Andando em direção ao interior, é comum observar que o balinês sempre constrói, junto a sua vila, um templo privado para seu culto particular. Com isso quero dizer que em toda casa há um minitemplo. Não há exagero nenhum dizer que em Bali tudo faz referência à religião, em todos os lugares o hinduísmo está presente.

Hinduísmo

Prática do ‘canang sari’, que são as oferendas feitas aos deuses em prol de algum pedido, agradecimento, etc. É muito comum vê-las diariamente, norteando toda a visão de mundo espiritual dos balineses. Olhe sempre para o chão, porque pisar nestas oferendas não é algo difícil, tamanha quantidade delas em todos os lugares.

Em linhas gerais, a busca do hinduísmo balinês é pelo equilíbrio e harmonia entre as forças (energias, espíritos, magias, deuses) que atuam neste mundo. A luta entre o caos (adharma) e o cosmo (dharma). Porém, nesta balança de equilíbrio, os balineses interagem com Deus de ambos os lados. Não é como na religião cristã, por exemplo, em que apenas Deus é o caminho, porque é infinitamente bom. É chocante e muito diferente do que estamos acostumados.

Hinduísmo

Famoso templo Tirta Empul, onde reza a lenda que a fonte de águas sagradas é capaz de purificar a mente e o corpo. Um lugar cheio de visitantes locais e fascinante pela diversidade de cores, cheiros e etnias.

Assim, nas oferendas (canang sari) diárias que podemos presenciar em toda a ilha (e mais facilmente em Ubud), se colocadas no chão, destinam-se aos maus espíritos, visando prejudicar alguém ou alguma coisa. Se a oferenda é colocada no alto, pendurada em uma árvore, por exemplo, ou sobre algum muro, o objetivo é fazer o bem. Logo, andando por Ubud você verá ambas situações sendo feitas de forma bastante natural. Para o balinês, em tudo há certa magia – magia branca e magia negra, e os correspondentes sacerdotes encarregados de ligar os desejos terrenos com a vontade dos deuses.

Hinduísmo

Templo Uluwatu, incrustado em uma falésia rochosa frente ao oceano índico. Um lugar mágico, abarrotado de turistas e com um atrativo a mais, a dança do fogo – kecak.

Os templos têm como característica comum serem abertos ao ar livre. O acesso se dá por “portões” que nas extremidades são irregulares, trabalhados artesanalmente, e na abertura interior são linearmente perfeitos. Busquei uma explicação para tal arquitetura, mas confesso que ainda não encontrei. No interior do templo, você tem várias ‘casas’ direcionadas a diferentes deuses hindus e algumas torres, que são vários níveis de telhados se afunilando na medida em que se ergue. A explicação pode estar na crença hindu-balinês de que a vida é como uma pirâmide, e que na medida em que avançamos para a velhice, devemos nos apegar menos às coisas terrestres e caminhar para o céu sendo apenas “eu”. É uma explicação bonita e que condiz o lado simples da visão de mundo do hindu-balinês.

 

 

Um mineiro que gosta de histórias, e acha que escrever e ler é o melhor passatempo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *