Para não passar despercebida – a linha do muro de Berlim

É um pouco difícil pensar em Berlim sem que venha à cabeça a imagem do muro que separou a Alemanha Ocidental da Oriental durante a Guerra Fria. Hoje, restam apenas alguns pedaços do muro espalhados ao longo da capital alemã, restos de um passado histórico e triste, de separação e conflito.

Nos sete dias em que eu estive passeando pela Alemanha, parte de uma viagem de três semanas pela Europa, confesso que Berlim não era a cidade que mais me chamava atenção. Li muito sobre Paris e Londres, por exemplo, e, dentro da Alemanha, Munique era a cidade que mais me encantava. Creio que a falta de planejamento e conhecimento sobre Berlim tornaram minha passagem de três dias pela cidade menos proveitosa do que poderia ser.

Mas ainda assim, foi bem interessante.

Portão de Brandemburgo

Portão de Brandemburgo

Caminhando com meus amigos nos arredores do Portão de Brandemburgo, procurávamos por algum pedaço do muro. Resolvi perguntar a um senhor que estava andando por lá. Solícito, tentou me responder em um inglês simples que a algumas quadras dali, na Potsdamer Platz, eu poderia ver alguns pedaços do muro. Disse, ainda, que se eu atravessasse a avenida e olhasse atentamente para o chão, conseguiria ver a linha original pela qual o muro passava.

Um dos meus amigos ficou tão maravilhado quanto eu.

Desconhecíamos que houvesse tal linha e atravessamos a rua para procurá-la. De fato, havia uma linha de tijolos com uma cor mais escura.

Linha do muro de Berlim

Estava bem frio aquele dia e resolvemos parar em um local para um chocolate quente. Dentro do café, o assoalho mantinha a diferenciação, preservando a demarcação da linha que dividia, ao menos geograficamente, o comunismo do capitalismo na Alemanha.

A descoberta foi fascinante!

Mais tarde, saindo do café e continuando a caminhar pela avenida, chegamos à Potsdamer Platz e aos pedaços do muro dos quais o senhor havia me falado. Tiramos algumas fotos por ali, mas ver os próprios escombros do muro não foi uma experiência tão reveladora quanto descobrir que ainda existia aquela tênue e histórica linha no chão, que atravessava inclusive os estabelecimentos comerciais.

A cor diferenciada do assoalho marcando a continuação da linha

A cor diferenciada do assoalho marcando a continuação da linha

Sempre gosto de planejar bem minhas viagens, mas às vezes penso se não seria melhor deixar, se não tudo, ao menos parte das coisas para ser descoberta dessa forma, conversando com uma pessoa no destino.

Esse foi um raro caso em que a ignorância proporcionou uma boa experiência.

E você, prefere planejar a viagem nos mínimos detalhes ou deixar para descobrir tudo no destino?

 

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

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