Quando eu estava pesquisando sobre Florença, a minha certeza era: preciso ver o Davi de Michelângelo. Assim, a Galeria da Academia era item indispensável no meu roteiro. A Galeria dos Ofícios, ou Galleria degli Uffizi, entretanto, estava na caixa da dúvida: vou ou não vou?
O que causava dúvida era o fato de eu mal ter dois dias inteiros em Florença. E aí, encaro dois museus ou não? Pelo meu roteiro, os dois teriam que ficar pelo mesmo dia e, por experiências passadas, eu sabia que normalmente isso dava problema.

Li sobre o museu: um dos mais tradicionais do mundo e com um acervo de arte italiana e, especialmente, renascentista, de cair o queixo. Hesitei, pensei e no fim me convenci a ir. Vamos lá, dois museus no mesmo dia, encaremos.
Normalmente essa decisão é errada. Menos é mais. Por sorte, neste caso específico a decisão foi acertada. Claro, o essencial é visitar a Galeria da Academia (da qual eu falo neste post aqui) em um dia e a Galeria dos Ofícios em outro. Mas, felizmente para a minha escolha, a Galeria da Academia é compacta e, mesmo que a Uffizi seja riquíssima e maior, de alguma forma não é cansativa de se visitar.

Comparando aos Museus Vaticanos talvez fique mais claro o que eu quero dizer. Nos Vaticanos há muito a se apreciar, tanto pelo fato de eles serem gigantescos, como pelo excesso de informações às quais você é exposto. Exemplo: em um único corredor há afrescos detalhados no teto, quadros na parede esculturas e isto se repete ao longo de corredores. Você anda olhando para todos os lados, literalmente.
A Uffizi já é diferente. Os corredores possuem, sim, afrescos nos tetos, bem como estátuas, mas os quadros estão divididos por períodos dentro das suas galerias em forma de U, formato que eu adorei, pois torna a visitação interessante e fluida, fora do formato comum de galerias quadradas. A própria Uffizi possui esse formato singular e interessantíssimo de U. De um de seus corredores, há uma vista linda para o Rio Arno e a singular Ponte Vecchio.

De fora da galeria, a organização das filas é meio bagunçada. Se você tiver comprado o ingresso pela internet, como eu fiz, primeiro é preciso trocar o voucher pelo ingresso em uma bilheteria e pegar outra fila para entrar, em outro local. Uma vez lá dentro, a visitação transcorre de modo muito mais simples.
Na galeria há uma lanchonete, onde eu comi um ótimo panini de prosciutto de parma. Quando saí da galeria, quis repetir a dose e peguei outro panini num lugar qualquer: estava horrível. E ainda derramei molho pesto (verde) na minha camiseta (branca, pra ajudar =P ).
No mesmo andar da lanchonete, há um terraço que proporciona uma visão do relógio do Pallazzio Vechio (Palácio Velho) e do imponente Domo de Florença, mais distante.

As obras da galeria são maravilhosas e a divisão é cronológica, por período de arte e por artista. Minha visita por lá durou umas duas horas. A arte da galeria se divide entre afrescos, estátuas e quadros, mas para mim o grande apelo está nos quadros, não obstante toda a arte do museu seja muito bacana.
Grandes obras da história da arte, como a maravilhosa Primavera, de Botticelli, a Medusa de Caravaggio, e a Anunciação, de Leonardo da Vinci, estão lá, para citar apenas algumas. Meu medo de não aproveitar o museu em virtude de cansaço não se concretizou, pois a visita foi muito agradável e fluida. A Uffizi é rica, mas não é cansativa.

Fiquei muito feliz em ter escolhido visitá-la, no final. O essencial é não fazer ela e a Academia no mesmo dia, mas se eu não fosse, eu não saberia o que eu teria perdido. Agora que você sabe o que você perderá se não visitá-la quando em Florença, planeje-se melhor do que eu e vá sem dúvidas. Se já foi, conte o que você achou!
Todos os caminhos levam a:
Galleria degli Uffizi (Galeria dos Ofícios)
Onde: Piazzale degli Uffizi, 6, Florença.
Quanto: 12 euros (ingresso online com hora marcada, preço em 2016). Você pode comprar no site oficial.
Site oficial: http://www.uffizi.org/it/