Guia Paraty – Rio de Janeiro

Este ano fiz uma viagem que há muito estava nos meus planos: Paraty, Rio de Janeiro. A cidade colonial famosíssima pela FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) sempre me inspirou algum encanto, fosse pelas fotos belíssimas que eu via, fosse por uma imagem poética que eu havia criado na minha cabeça.

Confesso que não me arrependi: a cidade é pura poesia.

Paraty

Uma amiga me pediu algumas dicas essa semana sobre a cidade, o que me inspirou a escrever este post, que ficará um pouquinho maior do que o costume, pois a proposta é falar de tudo um pouquinho: o que fazer na cidade, o que visitar, onde comer, quanto esperar gastar e por aí vai.

Vamos lá?

 

Como chegar

Paraty

Fui com a minha família de carro, partindo de São Paulo, Capital. Ao jogar o endereço no GPS ou Waze ele provavelmente te mandará pela estrada Cunha – Paraty, o caminho mais curto, mas não necessariamente o melhor, pois este trecho final do caminho tem velocidade bem mais reduzida e é uma estradinha aparentemente mais judiada. Eu preferi seguir a dica do Ricardo Freire: ir até Ubatuba, e de lá seguir para Paraty. Só estrada bacana, o caminho acaba ficando até mais rápido e você vai pelo litoral, prospecto que eu acho mais agradável.

Se quiser ir por esta segunda opção, a qual eu indico, programe seu GPS pra Ubatuba e de lá reprograme para Paraty.

Se você não estiver de carro, ônibus saem do terminal Tietê, em São Paulo, com destino a Paraty. As passagens custam R$ 78,62 o trecho (preço em 2018) e a viagem dura cerca de 6 horas. A rodoviária de Paraty é próxima do centro histórico da cidade, 10 a 15 minutos a pé.

 

Onde ficar

Pequena piscina da Pousada das Pedras

Pequena piscina da Pousada das Pedras

Fiquei na Pousada das Pedras e achei o custo benefício da pousada excelente. Ela fica quase de frente à rodoviária, perto o suficiente do Centro Histórico para ir a pé, mas longe o suficiente para não ter o preço muito elevado.

Em Paraty, hospedar-se dentro do Centro Histórico tem o seu valor, mas tem o seu preço. Há pousadas super top na cidade, mas o meu turismo foi mais no sentido de aproveitar atrações e não gastar muito.

E a Pousada das Pedras se encaixou bem nesse requisito: bem localizada (uns dez minutos a pé do Centro Histórico), com um atendimento bom e uma diária de R$ 413,95 para três pessoas com café da manhã incluído, sendo que parte da hospedagem estava dentro do fim de semana de carnaval. Fora de feriados, é possível pegar preços ainda melhores, bem como reservando com antecedência (reserve neste link).

Um único porém chatinho se você está de carro é que o estacionamento é por ordem de chegada, não tendo espaço suficiente para todos os hóspedes. Se você sair pra passear de carro, voltar e tiverem tomado seu lugar, paciência. Neste caso, os funcionários recomendam deixar na frente do hotel, num estacionamento municipal ao lado da rodoviária. Basicamente, o carro fica na rua.

Eles demonstram total tranquilidade neste ponto, e reafirmam que a cidade é tranquila, o que me pareceu realmente verdade, tanto que várias pessoas deixam o carro na rua sem grandes problemas. Como paulistano cismado, preferi deixar num estacionamento pago na própria rua do hotel.

Quanto ao café da manhã, é simples, variado e bom, com um jeito mais para caseiro do que para hotel, jeitão do qual eu gostei bastante. Se não houver ovos mexidos, a Dona Rosana faz para você na hora, é só pedir.

 

O que fazer?

Paraty

Paraty é uma cidade gostosíssima, fotogênica, colonial e feita para passear com calma. Até porque correr nas calçadas do Centro Histórico pode ser uma péssima ideia e te render um pé quebrado. Sério. O calçamento que eles chamam de pé-de-moleque e que forra todo o Centro Histórico é superrrrrrr irregular e difícil mesmo para caminhar, então vai tranquilo, devagar, parando em cada casinha colonial para ver o que há por detrás daquelas portas que parecem um cenário de novela de época.

 

  • Centro Histórico

 

Paraty

O Centro Histórico é a grande estrela de Paraty. É onde estão as casinhas, casas e casarões coloniais muito bem conservados que tornaram a cidade tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). É uma viagem no tempo. É muito divertido entrar pelas portas dessas casas paradas no tempo e dar de cara com lojas de grife e restaurantes em total contraste com a aparência externa.

Casarões Paraty

Um passeio de charrete (paguei R$ 20 por pessoa) serve como uma introdução à cidade, pois o charreteiro vai contando curiosidades e um pouco da história de Paraty no caminho. É um guia para um primeiro contato com a cidade. Os passeios saem da Praça da Matriz.

Paraty RIo de Janeiro

Também há free walking tours em Paraty, com duração de 2 horas, que são um ótimo modo de conhecer a história local. Eu não fiz, mas ele ocorre todos os dias, exceto às quartas-feiras, às 10:30, saindo da Praça da Matriz. Mais informações aqui.

 

  • Passeios de Escuna

 

Escuna Paraty

Em Paraty há duas praias nas quais dá pra ir a pé, bem próximas ao Centro Histórico: a Praia do Pontal e a Praia do Jabaquara. Não há nada demais nelas, entretanto. Para ver as praias mais belas, você vai precisar fazer um passeio de escuna, atração obrigatória na cidade.

Praia da Lula Paraty

Praia da Lula

As escunas são as embarcações relativamente grandes, que fazem passeios com duração média de 5 horas. Normalmente são quatro paradas, com bote de apoio para chegar na faixa de areia, no caso de quem não sabe (meu caso) ou não quer nadar até lá. Duas das quatro paradas ficam em aquários naturais a uma certa distância da faixa de areia. Aí, só sai quem sabe nadar mesmo. O passeio vale a pena demais, só por meio dele você terá acesso às praias mais belas da região.

Praia Vermelha Paraty

Praia Vermelha

O passeio custou R$ 50 por pessoa com a Estrela da Manhã Tours (Avenida Roberto Silveira, 31), que incluía umas frutas e um cafezinho durante o passeio. A Paraty Tours (Avenida Roberto Silveira, 479), bem famosa na região, cobra um pouquinho mais, mas parece ter uma estrutura mais legal do que a concorrente, pelo que pude observar. Os barcos servem almoço e bebidas, pagos à parte.

A escuna é o padrão com o menor custo, mas há outras modalidades de passeio também.

As traineiras, barcos menores que ficam no cais de Paraty, são outra opção para navegar a baía. Cobram mais caro, já que levam um grupo menor. Os preços são negociáveis, mas sempre ficarão acima dos passeios de escuna.

Traineira Paraty

Traineira

A última modalidade é o passeio de lancha. Neste caso há exclusividade e agilidade no deslocamento, você pode fazer o passeio só com sua família e tanto horário quanto roteiro são negociáveis. O preço fica em torno de R$ 1.000 dependendo do roteiro, da agência e da época. Vale sempre se informar.

 

  • Cachoeiras

 

Cachoeira do Tobogã Paraty

Cachoeira do Tobogã

Qualquer dos receptivos de turismo, além dos passeios acima, faz também passeios pelas cachoeiras nos entornos da cidade. Eu optei pelo carro para ir à Cachoeira do Tobogã (fica Rodovia Paraty-Cunha, a menos de 10 km de Paraty) que, como é de se imaginar, é formada por uma enorme pedra lisa na qual a galera desliza como num tobogã.

Se você curte cachoeiras, fica a dica.

 

  • Cachaça

 

Cachaça Paratu ENgenho d'ouro

Paraty tem uma longa tradição na produção de cachaça, tanto que os receptivos turísticos também oferecem passeios pelos alambiques da cidade. Logo em frente ao parque da Cachoeira do Tobogã, fica o alambique da Engenho D’Ouro, uma das produtoras de cachaça de Paraty. O passeio guiado pelas instalações é simples, inclui degustação e custa agradáveis R$ 3,00. Recomendo fortemente a compra da cachaça Gabriela para levar de recordação, da qual eu falarei lá nos comes e bebes.

 

  • Teatro Espaço

 

Um programa que eu queria fazer e acabei não conseguindo: ver um espetáculo no Teatro Espaço, um teatro de boneco para adultos. O Ricardo Freire fala hiper bem dessa atração no Viaje na Viagem. Se der, dá um pulo lá e me conta depois se valeu a pena. Fica na Rua Dona Geralda, 42, no Centro Histórico.

 

  • Trindade

 

Trindade guarda algumas das praias mais belas da região. Fica a 25 km do centro de Paraty, no sentido Paraty-Ubatuba. Optei por deixar para uma próxima viagem, pois eu estava tão encantado com Paraty que preferi ficar todos os dias por ali. Mas de Paraty a Trindade é um pulo, uma meia hora de carro. Ônibus saem de hora em hora da rodoviária de Paraty rumo a Trindade.

 

Onde Comer em Paraty

Manuê

Manuê

Como eu optei por uma viagem mais “low cost”, com as comidinhas não poderia ser muito diferente. Se você estiver na pegada de não gastar muita grana com comida, continue comigo.

O Manuê (Rua João do Prado, 57) é o canal pra lanchinhos gostosos, com bons preços e num ambiente descoladinho. O cardápio dos caras tem bolos, sucos, omeletes, açaí, entre outras coisas. A estrela da casa são as dobradas. São lanches de diversos sabores, parecidos com um wrap, mas com a massa mais durinha, crocante. Custam a partir de R$ 9,00.

Ambiente do Manuê

Ambiente do Manuê

Na linha de restaurante simples e bom, o melhor que provamos, com excelente custo benefício, foi o Genários (Rua Jango Pádua). É um restaurante em frente à rodoviária de Paraty, que trabalha em regime self-service a quilo no almoço, e em regime à la carte no jantar. No almoço é cheio e no jantar é hiper tranquilo. No cardápio à la carte conta com opções simples, como contra-filé, filé de peixe com molho de camarão (R$ 25 qualquer dos dois), omelete (R$ 18) e hambúrgueres (a partir de R$ 14).

O pessoal é hiper gente boa e o restaurante foi meu grande coringa da viagem. Na dúvida, ia lá. E nele também provei dois clássicos da cidade: Gabriela e Jorge Amado.

Não saia de Paraty sem tomar uma Gabriela. Lembra que eu falei da tradição da cidade em cachaças? Pois é, a Gabriela é uma cachaça tradicional de Paraty com cravo e canela. Deliciosa! Vários restaurantes servem. No Genários, custa R$ 6 a dose. Se você não chegar a ir em um alambique, há lojas de cachaça espalhadas por Paraty pra você comprar uma e levar pra casa. Vale a pena.

E como você provou a Gabriela, não dá pra deixar de provar outra bebida clássica da cidade, o Jorge Amado, que é feito a partir da cachaça Gabriela. Conta pra mim depois.

Outra instituição da cidade são os carrinhos de doce que ficam espalhados nas ruas do Centro Histórico. São diversas opções de sobremesas que o cara vai te servir em guardanapos e com uma colherzinha de plástico. R$ 6,00 cada. Tão simples quanto gostoso, não deixe de provar.

Os onipresentes carrinhos de doce do Centro Histórico

Os onipresentes carrinhos de doce do Centro Histórico

Se quiser ir comer um burger num ambiente alternativo, o Van Gogh Pub (Rua Dr. Samuel Costa, 22), inspirado no famoso pintor, pode ser uma boa. Eu digo que pode porque eu não tive muita sorte no meu pedido: hambúrguer de filé mignon. Simplesmente não funcionou. Pode ser que os outros hambúrgueres sejam mais interessantes, então deixo para o lugar o benefício da dúvida. O ambiente é diferentão, quase lúgubre e eu ouvi falar dele primeiro por meio do Olavo Medeiros, do “O Melhor de Sampa”, numa viagem que ele fez pra Paraty. Se quiser sair do comum e arriscar, fica a dica.

Se quiser dar aquela turbinada na parte gastronômica da viagem, recomendo a leitura do post do Ricardo Freire, que conta quais são os melhores restaurantes da cidade. Leia aqui.

 

Custos de uma Viagem para Paraty

Paraty

Centro Histórico à noite

O custo é aquela coisa hiper pessoal que varia de acordo com o estilo de viagem. Compartilho aqui, unicamente para efeitos de referência.

Nem fui como mochileiro roots, nem fui como esbanjador. Fiz a viagem com meus pais, de carro próprio, com hospedagem simples e bem localizada, comendo em restaurantes com bom custo-benefício e mesclando passeios pagos a passeios de carro. Ou seja, um estilo econômico.

Fomos na quinta-feira e voltamos na segunda de carnaval, pegando uma boa parte do feriado. No total foram 5 dias e gastamos um total de R$ 3.288,24. Uma média R$ 274 por dia, por pessoa. Poderia ter ficado ainda menos, porque estava tão legal que decidimos prorrogar por mais uma diária no hotel, diária esta um pouco mais inflada por estar em cima da hora e ainda mais no feriado. Mas valeu hiper a pena.

Dá pra gastar menos se você se hospedar em um hostel, por exemplo. E claro, sempre dá pra gastar mais, bem mais.

Espero que este post seja de ajuda na sua viagem pra Paraty. Para enriquecer mais seu repertório, recomendo fortemente a leitura do post hiper completo do mestre Ricardo Freire sobre a cidade, neste link. Espero que você se apaixone pela cidade, assim como eu!

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

2 comentários sobre “Guia Paraty – Rio de Janeiro

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