Visita imperdível à Basílica di Santa Croce

 

Recentemente saiu publicado um fato triste e, igualmente, inusitado. Na belíssima Basílica di Santa Croce, em Florença, uma parte do capitel de uma coluna se desprendeu e veio a atingir um turista. O homem, de 52 anos, não resistiu e faleceu. Fiquei melancólico no dia em que soube da notícia. Duas semanas antes eu havia estado no lugar, em minha visita a Florença, e a sensação de brevidade tomou o curso de meus pensamentos.

Santa Croce

Fachada da Basilica di Santa Croce, em Florença. Também chamada Panteão das Glórias italianas, pelos túmulos famosos que abriga, ou, Igreja de todos os cidadãos fiorentinos, pois sua construção foi custeada com as contribuições dos cidadãos de Florença.

Curiosamente, se algo de característico pode ser destacado na Basílica di Santa Croce, entre outros aspectos, é que se trata de uma igreja adornada em seu interior de túmulos de ilustres figuras da Itália. Por isso, a alcunha de se referir a ela como “panteão das glórias italianas”. O túmulo de Michelangelo, Galileu Galilei, Maquiavel, Rossini, entre outros, estão lá e certamente este é um dos principais atrativos ao turista. Por outro lado, embora tenhamos o túmulo de Dante Alighieri, verdade seja dita que ele está vazio. O grande poeta, grande mesmo, está enterrado na cidade de Ravenna.

Santa Croce

Túmulo de Michelangelo. Atenção: os restos mortais estão enterrados no chão, logo baixo do belíssimo painel.

Após pagar 6 euros para entrar na Basílica di Santa Croce, maior igreja franciscana do mundo, adentrei ao recinto olhando para cima, porque o teto rústico me agradava, e olhando para baixo, porque no piso há inúmeros túmulos esculpidos em mármore. Pisar neles dá uma estranha sensação de desrespeito, além de certo desequilíbrio, de forma que eu evitava, mas sem muito sucesso.

As dimensões dessa igreja são realmente triunfantes. Nela estão condensadas uma arquitetura sublime e uma arte de séculos. Suas capelas laterais (16 ao todo) irradiam luz e, algumas são decoradas com afrescos de Giotto. Em meio a tantas coisas para se ver, detive-me longos minutos admirando a beleza da capela lateral com o túmulo de Charlotte Napoleón Bonaparte. Vim a saber depois que Charlotte era inteligente, tinha paixão por literatura e pintura, e morreu de forma breve ao dar à luz seu único filho.

Santa Croce

Túmulo de Charlotte Napoleón Bonaparte, que por alguma razão, atraiu-me a atenção de forma inexplicável.

Andemos.

O interior da igreja guarda ainda uma relíquia, parte do hábito (roupa) e cinto de São Francisco de Assis. As relíquias são objetos de veneração ligadas a um santo ou pessoa central da fé católica. Sua importância está na mediação de vários milagres relatados.

Santa Croce

Relíquia de São Francisco de Assis

Outro aspecto interessantíssimo dessa igreja é a existência, em seu interior, mas localizado nas dependências adjacentes, da Escola de Couro (scuola de cuoio), onde os frades fabricam diversos produtos de couro, como, bolsas, carteiras, chaveiros etc. Pena que os preços são bem caros, diga-se, embora reconheçamos que se trata de um trabalho puramente artesanal. A escola de couro surgiu depois da Segunda Guerra mundial, com o objetivo de acolher os órfãos da guerra e dar-lhes uma ocupação.

Santa Croce

Escola de Couro. Nos cômodos ao lado temos a exposição dos produtos a venda

Já caminhando rumo à saída, no principal claustro, temos a Capela Pazzi, construída como uma sala capitular para abrigar os túmulos dessa família. O conjunto todo é bem harmônico, e do lado de fora, o jardim margeado pelo corredor, já no cair da tarde, reflete uma beleza renascentista incrível, fazendo-nos lembrar de como a vida é breve, os passos são únicos e o tempo que temos aqui na Terra é o tempo que temos para semear.

Santa Croce

Claustro Principal, com a Capela Pazzi ao fundo. Parece um quadro da renascença, não?!

 

Todos os caminhos levam a:

Basilica di Santa Croce

Onde: Piazza di Santa Croce, Florença.

Quando: de segunda a sábado, das 9h30 às 17h30. Fique atento, pois a última entrada é até às 17h00. Em dias santos, os horários são diferentes.

Quanto: 6 euros a entrada.

 

Um mineiro que gosta de histórias, e acha que escrever e ler é o melhor passatempo.

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