Cuidados em Liverpool, Inglaterra

Paulistano da gema, relativamente acostumado com os problemas que enfrentamos numa cidade como São Paulo, normalmente vou pra outros lugares já meio treinado para situações básicas de segurança como turista: não dar mole com celular ou câmera na mão, tentar evitar lugares ermos e esquisitos tarde da noite, evitar andar por aquela rua com uma cara meio estranha e por aí vai. Entretanto, boa parte dos lugares da Europa passam uma sensação de segurança muito boa para o turista e você tende a andar um pouco mais tranquilo.

Não é que não aconteça nada. Batedores de carteira existem em todo o lugar do mundo, bem como assaltos e tudos mais. Em alguns lugares muito mais do que em outros. Entretanto, quando eu fui pra Liverpool, minha imagem da cidade era similar a qualquer outra cidade da Inglaterra que eu visitara até então: tranquila, segura, cuidados básicos a se tomar, mas sem stress.

Liverpool à noite

Liverpool à noite

Uma colega que foi pra lá teve a sensação de total segurança na cidade. Por isso eu posso ter tido apenas azar mesmo. Mas como eu vivenciei uma ou outra situação, acho temerário dar dicas de uma cidade que vale muito a pena a visita sem citar os poréns que observei, por azar ou não.

No dia que cheguei em Liverpool, vindo de trem de Londres, dei aquela passada no hostel, fiz toda a minha lavanderia por lá e fui sair só à noite. Acho que era domingo e eu resolvi descer para o Albert Dock, lugar com um complexo bacana de entretenimento (assunto pra outro post), no qual há uma roda gigante iluminada e o Rio Mersey ao fundo.

 

Tudo hiper tranquilo até aí. A única visão triste foi a de alguns moradores de rua pedindo dinheiro no caminho, mas fora a cena triste, nenhuma sensação especial de insegurança.

No Albert Dock tinha um rapaz fazendo fotos com uma câmera de aparência profissional. FIquei um pouco por ali e voltei no sentido do hostel, para passar antes num pub e jantar. Deviam ser nove e pouco da noite.

Num dos principais calçadões de compras da cidade, um calçadão bem bonito por sinal, eu vi uma cena que de tão deslocada até demorou pra cair a ficha. Um senhor discutindo com dois jovens do lado oposto do calçadão, Aparentemente os dois tentavam tomar algo dele. Um deles deu um soco na cara do senhor que desabou no chão para ser coberto por chutes logo em seguida.

Tudo isso foi rápido, menos de dez segundos. Fiquei letárgico. Eu vi a cena, mas não captava. Era o que eu menos esperava ver numa cidade supostamente segura. Em São Paulo eu nunca vi uma cena dessa presencialmente. Chegaram duas ou três pessoas para ajudar o senhor, enquanto os dois rapazes saíram correndo. O senhor pedia para que chamassem a polícia, aparentemente. Haviam levado algo dele. Roubado e espancado. E ainda dois contra um.

Calçadão Liverpool

O calçadão

Minha cabeça ficou zonza.

Fui jantar no pub. Daí em diante eu fiquei com um pé atrás em relação à cidade, e acho que não posso ser culpado por isso. Voltando do pub pro hostel, uma senhora me pedindo algo do outro lado da rua começou a gritar histericamente.

Sério.

Continuei andando sem olhar pra trás. Ainda, e este último eu posso creditar à tensão do momento, pensei ter visto alguém à espreita num beco enquanto eu ia pro hostel. Mas a este eu vou dar o benefício da dúvida, já que eu estava com motivos suficientes para estar paranoico.

Os outros dias foram tranquilos, sem incidentes do tipo. Consegui aproveitar bem a cidade que, diga-se de passagem, é bem bonita e um prato cheio para fãs de Beatles. Ou seja, não desencorajo de forma alguma visitar a cidade, mas tinha que contar aqui minhas experiências negativas para que elas sirvam de exemplo para andar bem atento por lá.

Pesquisando de leve na internet, não vi nada em específico como “Liverpool, lugar mais violento da Inglaterra” ou “tome cuidado com senhoras histéricas na rua”, mas tomar um pouquinho de cuidado não custa. Quais cuidados? Os básicos: táxi ou uber se for voltar muito tarde, evitar ruas ermas, não dar bobeira com seus pertences e fugir de senhoras histéricas. Tudo o que você faria numa cidade grande qualquer.

No mais, é só aproveitar. Sem paranoias, mas com cuidado. 😉

Sou servidor público, paulistano e fã de Beatles. Viajar me dá motivos para escrever e escrever me dá desculpas para viajar. Tenho um calendário em casa e um na mesa do trabalho, no qual planejo feriados, férias e viagens.

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